Zeitgeist lll
E aquele que não se importa? sim: o “Zeigeist” atual pode ser colocado assim: não me importo. O problema é seu.
Teu colega de faculdade, colégio, trabalho, etc, não é colega; é rival. Não se trabalha em conjunto em prol de alguma coisa maior, uma causa, qualquer coisa: quando se trabalha, é por si, e sozinho, pois quê? hedonismo?
As pessoas deixaram de se tocarem, de se conversarem, de serem gente. As conversas na frente do portão deixaram de existir? o passar frio nestas conversas longas, intermináveis sentados na rua apenas pois que o outro está lá junto passando frio ainda existe? interessante: trade-offs de uma sociedade que aprendeu a se distanciar.
Conversava sobre isto com uma aluna de teatro amiga – colega? – minha esta semana. Ela comentou exatamente a respeito disto: as pessoas deixaram de serem pessoas, de se tocarem. Medo de invasão de privacidade? Do que temos tanto medo? do quê temos de nos esconder? de perguntas?…
O inferno, na visão de C.S.Lewis, o criador das “Crônicas de Nárnia” entre outros, é uma cidade de luz cinzenta de penumbra – do “antes-do-amanhecer”, aqueles momentos que antecedem a aurora; quando nunca se sabe exatamente quando o sol irá surgir, mas se sabe que ele está surgindo – aonde cada um que chega faz com que o outro se afaste cada vez mais, construindo sua casa sempre mais longe possível do centro.
Os primeiros que chegaram já não mais se avistam sequer com binóculos.
“O inferno são os outros.”…

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